O Século das Luzes

Nos finais do século XVIII, Paris era o palco de uma mudança das mentalidades que supôs um verdadeiro siècle eclaire. Pululavam formas de sociabilidade, espontâneas ou minimamente organizadas, os saraus, as academias, grémios, clubes, cabinet de lecture ou qualquer outra forma de convivialidade que permitisse o convívio entre intelectuais, artistas ou burgueses endinheirados que desejavam profundamente alimentar um novo estatuto social. Este novo tipo de associativismo desenvolveu-se em meios essencialmente urbanos, os seus membros discutiam temas filosóficos, artísticos, linguísticos ou científicos. Integrados no movimento iluminista que representava uma ruptura irredutível em relação à superstição, tetricismo e misticismo que caracterizava a sociedade de Antigo Regime.
O iluminismo denúncia, com um renovado fervor racional, a falência do misticismo, da ideia de que o Mundo é palco do dirigismo da Providência Divina. O Homem surge como um indivíduo, singular ou colectivo, que toma as rédeas do destino e que iluminado pela luz da razão supera-se, produz e produz-se cultural e socialmente. O século XVIII foi o século da razão, o triunfo da racionalidade, de um cientismo que, ainda que embrionário, inundava as bibliotecas e expraiava-se pelas páginas da imprensa. A Encyclopédie (Diderot e D' Alembert) propunha-se reunir o conhecimento produzido na época num livro, que pudesse ser consultado por todos. Isto representa uma tentativa de popularizar o conhecimento, fomentando o autodidatismo.
Uma suave brisa de cientismo e racionalidade bafeja os finais do século XVIII. O século XIX emerge como o século do romantismo e assiste à afirmação do positivismo e da cientificidade, redescobrir-se-á África, que representará um verdadeiro laboratório antropológico. Às experiências científicas somar-se-á um novo olhar sobre o Homem, a sua condição e experiência.

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