Monday, October 16, 2006

Introdução

O Século XIX, marcado pelos avanços técnicos e tecnológicos, ergueu o icone do cientista, trajado de bata branca e rodeado de estranhos liquídos de cores reluzentes que borbulhavam nos tubos de ensaio. O século do positivismo de Auguste Comte, das explicações científicas, da Royal Society de Londres, dos prémios científicos, de John Merrick (o Homem Elefante), dos inventos de Bell, Marconi e Edison, alimentara a crença de que a ciência permitiria ao Homem tomar as rédeas do seu destino. E, como anunciara um século antes o filosofo alemão Liebniz, a condição humana, nobre por natureza, conduziria o Homem para o melhor dos fins. O optimismo inundara um século de progresso e ordem, cientificidade e conhecimento. Construiram-se os primeiros aviões, barcos indestrutíveis, a linha de montagem, o modelo T da Ford. O século da ciência que permitiu sonhar o Homem com a conquista dos céus, pelos Zeppelins ou rasgar os mares com navios rápidos, luxuosos e indestrutíveis teve o seu siècle eclaire - fim de século - com um violento murro no estômago, um visceral golpe à fé no Homem. O Homem dos finais do século XIX e início do XX, assistiu horrorizado à queda do Hindenburg e à tragédia do TItanic.Dava-se início a um novo século, tumultuoso, bélico - nas primeiras décadas duas Guerras Mundiais! -, aos poucos as clivagens ideológicas que separaram o Mundo em dois foram-se diluíndo, assistiu-se ao triunfo das democracias, ao neo-liberalismo capitalista. Timidamente o imaginário colectivo criava uma nova fantasia, um alicerce civilizacional, uma profunda crença na democracia e na representatividade, na lisura dos seus ideiais e no carácter protector que os estados democráticos assumiu em relação aos seus cidadãos.

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